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Quando a vida não nos dá a opção de viver do modo como desejamos, tudo parece dificil e duro demais para suportar, então se busca formas de reagir a isso, seja pelo lado do inconformismo e desistência, ou pelo modo mais arriscado nutrido de esperanças de que algo possa responder a tudo isso. Em Hugo, o aclamado diretor Martin Scorsese parte para um novo mundo de novas possibilidades com o incremento do uso da tecnologia 3D e o usa não sob a perspectiva de tornar os efeitos das imagens espetaculares pura e simplesmente como se propõe hoje em dia. Aqui há a idéia de causalizar os efeitos dentro da trama que homenageia os mestres do cinema George Méliés, e os irmãos Lumiére. Se de um lado um trem correndo solto para cima da tela causa um impacto no publico, aquilo era exatamente o que os Lumiére faziam para espantar a todos com a dimensão daquilo correndo solto pra cima das pessoas (assim como o 3D). Nesse tipo de projeção, os eles mostravam apenas a realidade e se contentavam em apenas expor isso. “Não havia futuro nesse instrumento chamado cinema”, diziam, a não ser para esse proposito. Ao assistir em uma dessas exibições o jovem Méliés, famoso mágico e ilusionista, decidiu aperfeiçoar aqui e usar isso com o pretexto de construir sonhos nas telas e fazer com que pudesse transportar as pessoas para uma nova dimensão em seu imaginário, produzindo cerca de mais de 500 filmes com os recursos que tinha. Assim dentro desse roteiro o diretor de Cabo do Medo abusa do seu conhecimento no assunto para explorar o mundo do cinema em suas maiores possibilidades.
O garoto Hugo Cabret é um personagem que navega nessa história mais como um elo entre tudo o que se pretende mostrar na homenagem aos grandes gênios dessa arte em movimento. Orfão de pai e mãe, a única coisa que lhe resta é um misterioso autômato com contornos de humano cuja função é escrever num papel algum tipo de mensagem, que o garoto supõe ser algo que seu pai pretende lhe dizer. Levado pelo tio para morar com ele num quarto perdido no meio da estação de trem Gare Du Nord em Paris, ele é obrigado a partir para uma nova e dura etapa em sua vida. Com o sumiço do seu tio, ele é que vem fazendo o trabalho do seu responsável, ajustando diariamente o relógio da estação. Pra conseguir consertar o objeto deixado pelo seu pai, ele vem roubando peças de uma loja de brinquedos de um senhor (o que virá a ser personagem fundamental da história).
Hugo Cabret interpretado pelo lindo garoto Asa Butterfield então junto de uma garota que conhece na estação de trem embarcam em diversos momentos que culminam na revelação que leva ao espectador a se emocionar com a magnitude que o cinema, num conceito amplo de sua concepção causa. A Paris dos anos 30 é o cenário dessa história que Scorsese cria nos trazendo para um mundo de sonhos sendo feitos aos olhos do garoto Hugo, dos olhos de Méliés e de todos os que descobrem o poder que possui essa arte, que nos faz vivenciar mundos diversos sob a perspectiva de que o mais importante é observar o tempo em que as coisas duram, pois os sentimentos na maioria das vezes duram para sempre.