
Alexander Payne é um dos cinco diretores mais brilhantes dessa geração. Essa é a minha opinião, você que lê faz a sua ou o outro da esquina faz a dele. É apenas a constatação do que eu vejo em seus filmes, dada a sua densidade nas situações em que ele põe o seus personagens. Em Os Descendentes a proposta é expor a todos a um novo recomeço, cujo ponto inicial de partida é um grave acidente que causou a paralisia dos movimentos da mãe de duas crianças e esposa de um advogado relativamente bem sucedido. As dores com as quais todos tem de passar faz com que a cada nova situação que se impõe haja a necessidade de se reconstruir minuto a minuto. Tarefa nada fácil, mas suavizada pelo desejo de enfrentar esses problemas vivenciando a busca por um melhor modo de se relacionar. Colocando nas cenas um contraste entre a dor, as desavenças, o lado mais indigesto do ser humano misturado com as paisagens do cenário da trama, o paradisíaco Hawaii, um lugar onde as pessoas vão trabalhar em escritório com camisas havaianas.
Matt King, interpretado pelo ator George Clooney, é o pai dessa família e esposo da mulher que sofre em estado vegetativo numa cama de hospital. Após o acidente, o que era a figura de um pai ausente, ele acabou se vendo diante do que seria a sua vida caso tivesse ter aceitado compartilhar momentos com a sua família. Na redescoberta disso tudo novos passos tem de ser dados e bases reconstruídas para dar folego a sustentação dessa família. Após descobrir a traição de sua mulher no ínterim em que esteve ausente as peguntas que o cercavam do por quê sua vida ter se tornado daquele modo acrescentam um redemoinho sem fim e a busca por respostas. Respostas essas que não pretendem fazer justiça mas talvez o satisfazer moralmente.
O filme tem um roteiro magnifico, um dos mais bem feitos e adaptado nos últimos anos, deve levar o Oscar por essa categoria. Clooney merece levar o de ator, mais do que em qualquer outro papel, o Matt King que busca um novo recomeço em sua vida salta a tela com muita força e sensibilidade. Pena que o concorrente Jean Dujardim, de O Artista deva abocanhar o prêmio. O Oscar não é justo, nem a vida.